No Watches and Wonders Geneva 2026, entre 14 e 20 de abril, a Rolex apresentou uma edição especial para marcar o centenário do case Oyster, o sistema que tornou possível, pela primeira vez na história, um relógio de pulso resistente à água. Antes de chegar a esse marco, a invenção precisou ser provada publicamente, e o teste definitivo veio de dentro de um canal gelado, no pescoço de uma nadadora britânica.
No início do século 20, relógios de pulso eram vistos com desconfiança pelos homens, que ainda preferiam o relógio de bolso. Um dos motivos era prático: a umidade e a poeira corroíam os mecanismos com facilidade. Hans Wilsdorf, fundador da Rolex, apostava que o futuro pertencia ao relógio de pulso, mas sabia que essa mudança dependia de resolver o problema da vedação.
Em 1926, Wilsdorf comprou os direitos de uma patente de coroa rosqueável desenvolvida por Paul Perregaux e Georges Perret, e registrou o nome 'Oyster' para batizar um novo tipo de caixa hermeticamente selada. Era o nascimento do primeiro case de relógio de pulso à prova d'água e de poeira do mundo.
Ter a invenção não bastava. Wilsdorf precisava provar ao público que ela funcionava, e decidiu fazer isso da forma mais pública possível. Em 1927, ele equipou a nadadora britânica Mercedes Gleitze com um Oyster de ouro amarelo, preso ao pescoço por uma fita, para sua tentativa de atravessar o Canal da Mancha a nado.
Gleitze passou mais de dez horas na água gelada entre Cap Gris Nez e Dover. O mau tempo interrompeu a travessia antes da chegada, mas o relógio, ao ser recuperado, seguia funcionando perfeitamente. Foi o suficiente para Wilsdorf comprar uma página inteira no jornal britânico Daily Mail e anunciar ao mundo que a Rolex havia resolvido, em definitivo, o problema da água nos relógios de pulso. Gleitze se tornaria a primeira embaixadora da marca, abrindo caminho para décadas de parcerias com exploradores e atletas, de Edmund Hillary a Roger Federer.
A partir daquele case de 1926, a Rolex construiu praticamente toda a arquitetura de suas linhas esportivas. O Submariner, lançado em 1953, e o Sea-Dweller, voltado a mergulhos profissionais em grandes profundidades, são herdeiros diretos daquele primeiro sistema de vedação. O mesmo vale para o Daytona, cronógrafo que carrega o Oyster mesmo sem o apelo náutico dos outros modelos da linha esportiva.
Para marcar o centenário, a Rolex trouxe ao Watches and Wonders Geneva 2026 uma edição especial do Oyster Perpetual 41, em configuração Rolesor amarelo, que combina caixa e pulseira em aço Oystersteel com luneta e coroa em ouro amarelo 18 quilates. No lugar da tradicional inscrição 'Swiss Made', o mostrador traz, às 6 horas, os dizeres '100 years', um detalhe discreto que resume um século de história técnica por trás de um único case.