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Os 100 anos do Oyster: como uma nadadora no Canal da Mancha ajudou a Rolex a provar que um relógio podia ser à prova d água

11/09/2026
Foto: Reprodução/Rolex

No Watches and Wonders Geneva 2026, entre 14 e 20 de abril, a Rolex apresentou uma edição especial para marcar o centenário do case Oyster, o sistema que tornou possível, pela primeira vez na história, um relógio de pulso resistente à água. Antes de chegar a esse marco, a invenção precisou ser provada publicamente, e o teste definitivo veio de dentro de um canal gelado, no pescoço de uma nadadora britânica.

1926: um problema que ninguém havia resolvido

No início do século 20, relógios de pulso eram vistos com desconfiança pelos homens, que ainda preferiam o relógio de bolso. Um dos motivos era prático: a umidade e a poeira corroíam os mecanismos com facilidade. Hans Wilsdorf, fundador da Rolex, apostava que o futuro pertencia ao relógio de pulso, mas sabia que essa mudança dependia de resolver o problema da vedação.

Em 1926, Wilsdorf comprou os direitos de uma patente de coroa rosqueável desenvolvida por Paul Perregaux e Georges Perret, e registrou o nome 'Oyster' para batizar um novo tipo de caixa hermeticamente selada. Era o nascimento do primeiro case de relógio de pulso à prova d'água e de poeira do mundo.

1927: a prova veio de dentro do Canal da Mancha

Ter a invenção não bastava. Wilsdorf precisava provar ao público que ela funcionava, e decidiu fazer isso da forma mais pública possível. Em 1927, ele equipou a nadadora britânica Mercedes Gleitze com um Oyster de ouro amarelo, preso ao pescoço por uma fita, para sua tentativa de atravessar o Canal da Mancha a nado.

Gleitze passou mais de dez horas na água gelada entre Cap Gris Nez e Dover. O mau tempo interrompeu a travessia antes da chegada, mas o relógio, ao ser recuperado, seguia funcionando perfeitamente. Foi o suficiente para Wilsdorf comprar uma página inteira no jornal britânico Daily Mail e anunciar ao mundo que a Rolex havia resolvido, em definitivo, o problema da água nos relógios de pulso. Gleitze se tornaria a primeira embaixadora da marca, abrindo caminho para décadas de parcerias com exploradores e atletas, de Edmund Hillary a Roger Federer.

O legado técnico do Oyster

A partir daquele case de 1926, a Rolex construiu praticamente toda a arquitetura de suas linhas esportivas. O Submariner, lançado em 1953, e o Sea-Dweller, voltado a mergulhos profissionais em grandes profundidades, são herdeiros diretos daquele primeiro sistema de vedação. O mesmo vale para o Daytona, cronógrafo que carrega o Oyster mesmo sem o apelo náutico dos outros modelos da linha esportiva.

A edição centenária apresentada em Genebra

 

Para marcar o centenário, a Rolex trouxe ao Watches and Wonders Geneva 2026 uma edição especial do Oyster Perpetual 41, em configuração Rolesor amarelo, que combina caixa e pulseira em aço Oystersteel com luneta e coroa em ouro amarelo 18 quilates. No lugar da tradicional inscrição 'Swiss Made', o mostrador traz, às 6 horas, os dizeres '100 years', um detalhe discreto que resume um século de história técnica por trás de um único case.

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