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O céu não é o limite

Ter o próprio avião não basta, é preciso deixá-lo com a cara do dono. por isso, A customização tem atraído marcas consagradas no mercado de luxo, como BMW e Mercedes-Benz

03/12/2020
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Para algumas pessoas, ser dono de um jato executivo representa o auge do poder e do luxo. Para outros, apenas adquirir um avião não é o suficiente: é preciso deixá-lo com a cara do dono. Para ter seu estilo refletido no transporte aéreo, consumidores mais exigentes recorrem à customização de aeronaves. A procura é grande e o setor tem atraído grandes marcas de design, como BMW e Mercedes-Benz. As fabricantes de jatos, por sua vez, criam deparamentos especializados em decorar os aviões.

“Estamos com a produção maior do que nunca”, afirma o designer Tarso Marques, que customiza, em média, dez jatos por ano – em 2016, já foram oito, com previsão de dobrar esse número até dezembro. Cada projeto não sai por menos de US$ 10 mil e pode chegar a US$ 60 mil. A execução custa cerca de US$ 200 mil. A extravagância não tem limite. Entre os itens luxuosos pedidos pelos clientes, há desde pia com torneira banhada a ouro 24 quilates, como é o caso do Boeing 757 do candidato à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, avaliado em US$ 100 milhões, até assentos feitos com couro de crocodilo.

“Esse tipo de material, foi, sem dúvida, um dos mais exóticos que já utilizei”, relembra Marques, sem revelar a identidade do cliente. O projeto em questão foi aplicado em um Gulfstream GV, avaliado em US$ 35 milhões. A madeira foi substituída por fibra de carbono e as ferragens douradas, por aço escovado. Também foram adicionados telas touch screen para controlar as luzes e sistema de áudio completo, entre outros itens que custaram US$ 150 mil ao cliente. “Normalmente, esses pedidos mais extravagantes vêm do exterior. O brasileiro é mais conservador”, diz o designer.

O Brasil tem a segunda maior em frota de aviões particulares do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, com 15,2 mil aeronaves, avaliadas em US$ 12,1 bilhões, segundo a Associação Brasileira de Aviação Geral. Para agradar a clientela exigente, as fabricantes de jatos desenvolvem seus próprios “conceitos”. A brasileira Embraer, por exemplo, criou um design voltado ao mercado japonês. Batizado de Kyoto e aplicado em um Lineage 1000, aeronave que custa em torno de US$ 55 milhões, o projeto traz grandes janelas verticais e a possibilidade de o cliente fazer suas refeições sentado em um tatame, como manda a cultura oriental.

“A tendência de mercado é criar uma atmosfera parecida com o cotidiano do usuário, fazendo com que ele não se sinta em uma aeronave”, diz o professor Carlos Castilho, da Faculdade de Artes Plásticas da Faap. De acordo com a Embraer, que não divulga o preço desse layout, ainda não há pedidos dessa versão. A Embraer também fez uma parceria com a BMW Group DesignworksUSA, braço de design da montadora alemã, para criar um estilo batizado de “luxo inteligente”, que visa uma ambientação mais funcional. As janelas foram projetadas para transmitir uma sensação de maior espaço na cabine e os assentos apresentam um desenho que se molda ao corpo.

O mobiliário traz compartimentos de armazenamento escondidos atrás de painéis. Tudo muito clean, mas com o clima de lounge proporcionado pelas luzes de led. A sofisticação é aliada à tecnologia: há um sistema touch screen, com acabamento na cor black piano, que destaca informações do voo, como distância e altitude, nos monitores individuais das poltronas. O conceito pode ser aplicado nos jatos da linha Legacy 500, cujo preço é de US$ 20 milhões. Já a companhia aérea alemã Lufthansa, que atua no mercado de gerenciamento e venda de aeronaves executivas, se uniu à compatriota Mercedes-Benz.

O projeto desenvolvido pode ser adaptado ao tamanho de cada aeronave, como é o caso do Airbus ACJ318 Elite, avaliado em US$ 58 milhões. A ideia é aplicar tecnologias já presentes nos automóveis da montadora, como o Magic Sky, que controla a iluminação da aeronave eletronicamente. A cabine tem angulações em espiral, proporcionando a sensação de interligação entre móveis, chão e parede. Santos Dumont dizia que “as coisas são mais belas quando vistas de cima”. Com tanto luxo, o difícil é ter vontade de olhar pela janela.

 

Fonte: istoedinheiro.com.br

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