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Os 50 anos do Nautilus: a história completa por trás do relógio que dominou o Watches and Wonders Geneva 2026

11/09/2026
Foto: Reprodução/Patek Philippe

Entre 14 e 20 de abril de 2026, a Patek Philippe usou o Watches and Wonders Geneva, o maior palco da relojoaria mundial, para celebrar meio século de um dos relógios mais cobiçados da alta relojoaria. Poucos, porém, conhecem a origem real do Nautilus, tão distante do processo tradicional de criação de uma manufatura suíça quanto se pode imaginar.

1976: o esboço no guardanapo

A história começa com Gérald Genta a caminho de Basileia. No trajeto, ele avista a escotilha redonda de um navio, com suas dobradiças salientes e o formato pensado para resistir à pressão da água. Foi o suficiente. Genta desenhou o que se tornaria o Nautilus em cerca de cinco minutos, num guardanapo, sem qualquer processo formal de desenvolvimento por trás daquele primeiro traço.

O que tornava o desenho tão fora do comum não era apenas a inspiração náutica, mas o material escolhido para executá-lo. Até aquele momento, o aço era associado quase exclusivamente a relógios de uso cotidiano, distante do universo do ouro e da platina que definia o catálogo da Patek Philippe. Colocar a assinatura da manufatura mais tradicional da relojoaria suíça num relógio esportivo, robusto e feito em aço, era uma escolha de risco para os padrões da época.

2021: a descontinuação da referência mais vendida

O Nautilus não levou décadas para virar febre. Levou décadas para virar problema, do tipo bom. Em 2021, o então já consolidado Ref. 5711, com dial azul, acumulava listas de espera de anos e era revendido por valores muito acima do preço de tabela. A resposta da Patek Philippe foi descontinuar seu próprio modelo mais vendido.

O presidente Thierry Stern justificou a decisão de forma direta: 'We cannot put a single watch on top of our pyramid. It is not who we are'. Com um catálogo de mais de 150 referências ativas na época, incluindo peças de alta complicação e métiers d'art, a marca não queria ser resumida a um único relógio esportivo em aço, por mais desejado que ele fosse.

As quatro peças do aniversário

Foi esse histórico de disciplina e escassez calculada que a Patek Philippe levou para Genebra em 2026. Para marcar o cinquentenário do modelo, a marca apresentou quatro peças de edição limitada, cada uma revisitando a linguagem original do Nautilus sob um recorte diferente.

Duas delas são versões Jumbo de 41 mm em ouro branco, uma sobre pulseira de ouro branco limitada a 2.000 peças, e outra sobre pulseira em material composto, com índices de hora cravejados em diamantes baguete, limitada a 1.000 peças. Uma terceira referência adota o chamado formato Medium, em platina, com 38 mm de caixa, também limitada a 2.000 exemplares. A quarta peça foge do formato de pulso: é um relógio de mesa em ouro branco, limitado a apenas 100 unidades, com uma tampa articulada que protege o fundo de vidro safira e revela, gravada por dentro, a inscrição '50th Anniversary Nautilus 1976-2026 Patek Philippe'.

Acabamento e embalagem

Nas peças em platina, um diamante foi cravejado na dobradiça, às 9 horas, seguindo uma tradição da Patek Philippe presente em praticamente todos os seus modelos feitos nesse metal. Todas as quatro peças chegam em estojos revestidos de cortiça, o mesmo material usado na embalagem original da primeira referência do Nautilus, em 1976, e retomado também nas comemorações dos 40 anos do modelo, em 2016.

 

Cinquenta anos separam o esboço de 1976 das quatro peças apresentadas em Genebra em 2026.

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