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Os 25 anos do Freak: como um material usado em microchips virou a maior ruptura da relojoaria moderna

11/09/2026
Foto: Reprodução/Ulysse Nardin

No Watches and Wonders Geneva 2026, entre 14 e 20 de abril, a Ulysse Nardin apresentou o Super Freak, peça que celebra 25 anos de um relógio que, em 2001, provocou tanta estranheza que boa parte da indústria relojoeira relutou em aceitá-lo. A história por trás do Freak começa alguns anos antes, e passa por um material que quase havia destruído a relojoaria mecânica.

O concurso que deu origem ao conceito

Em 1997, a relojoeira Carole Forestier-Kasapi venceu o Prêmio Abraham-Louis Breguet com uma ideia pouco convencional: um movimento giratório inteiro, alojado dentro do próprio barril da mola principal, funcionando como ponteiro de horas. Era um conceito, não um produto. Faltava alguém capaz de transformá-lo em um relógio funcional.

Esse alguém era Ludwig Oechslin, relojoeiro suíço com formação em arqueologia e doutorado em filosofia, que já havia surpreendido o meio relojoeiro em 1985 ao criar o Astrolabium Galileo Galilei, o primeiro relógio-astrolábio de pulso do mundo, certificado pelo Guinness World Records. Rolf Schnyder, então à frente da Ulysse Nardin, reuniu Oechslin, Forestier-Kasapi e o diretor técnico Pierre Gygax para transformar aquela ideia de concurso em uma peça real.

O material que quase acabou com a relojoaria mecânica

O desafio técnico era resolver o atrito. O escapamento duplo desenhado por Oechslin exigia duas rodas de escape em vez de uma, o dobro do peso e da fricção de um escapamento convencional. Os metais tradicionais não davam conta. A solução veio de um lugar improvável: o silício, material praticamente sinônimo da crise do quartzo, que décadas antes quase havia levado a relojoaria mecânica suíça à extinção.

Gygax e sua equipe descobriram que o silício, tratado com um processo de oxidação que aumentava sua dureza e suavidade, era leve o bastante e preciso o suficiente para funcionar dentro de um escapamento mecânico. Em março de 2001, nascia o Freak, o primeiro relógio da história a usar componentes de silício em seu movimento, batizado internamente por Oechslin com o codinome que o projeto carregaria até o lançamento.

Baselworld, 2001: a estreia que dividiu opiniões

Quando o Freak foi apresentado na feira de Basileia, a reação da indústria foi de desconforto. O relógio não tinha coroa, não tinha ponteiros no sentido tradicional e não tinha mostrador. O movimento inteiro girava para indicar as horas, exposto sob o vidro de safira, em vez de escondido atrás de um dial. Tradicionalistas recuaram diante de uma peça que rompia, de uma só vez, com praticamente todos os códigos visuais da relojoaria mecânica.

O tempo provou o contrário do ceticismo inicial. O escapamento de silício do Freak se tornou o primeiro sistema de regulação da história a dispensar lubrificação, e o material que nascera para microchips passou a ser adotado, ano após ano, por outras manufaturas de alta relojoaria, hoje presente em boa parte dos movimentos de ponta do setor.

O Super Freak e os 25 anos de um conceito que não parou de evoluir

Para marcar o aniversário, a Ulysse Nardin apresentou em Genebra o Super Freak, descrito pela marca como o relógio só de horas e minutos mais complicado já criado. A peça reúne 511 componentes, dos quais 498 permanecem em movimento constante, equipada com duplo tourbillon e um sistema patenteado de cárdã que distribui a energia entre os dois escapamentos, inspirado nos mecanismos historicamente usados para estabilizar bússolas em embarcações navais.

 

Assim como o Freak original, o Super Freak segue usando o DiamonSil, material proprietário da Ulysse Nardin que combina a leveza do silício com a dureza do diamante nos componentes do escapamento. Um quarto de século depois de causar estranheza em Basileia, o conceito que nasceu de um prêmio acadêmico e de um material rejeitado pela própria relojoaria segue definindo o que a marca considera sua peça mais radical.

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