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Fabricante parisiense de mala chama atenção do setor de luxo

“Se a Goyard estivesse à venda, com certeza a LVMH e a Kering dariam uma olhada”, disse chefe do setor de luxo em Londres da Sanford C. Bernstein

03/12/2020
Foto: Andrew Harrer/Bloomberg News

Só os verdadeiramente ricos conhecem a Goyard.

Ao contrário da Gucci e da Louis Vuitton, a fabricante parisiense de bolsas e malas de luxo de mais 200 anos — uma de suas malas estilo século 19 custa 52.380 euros (US$ 59.315) — mantém um silêncio estudado.

Não faz propaganda em revistas de luxo e está entre as últimas de seu tipo que não foram engolidas por outra empresa maior. Pelo menos por enquanto.

O CEO da Kering, François-Henri Pinault, não se importaria em adicioná-la ao conjunto de marcas de sua empresa, disse uma pessoa familiarizada com o assunto.

Embora nem a Kering nem sua rival de maior porte LVMH Moët Hennessy Louis Vuitton comentem oficialmente se estão interessadas na Goyard, analistas do setor afirmam que seria improvável que elas deixassem passar a chance de considerar comprá-la.

“Se a Goyard estivesse à venda, com certeza a LVMH e a Kering dariam uma olhada”, disse Mario Ortelli, chefe do setor de luxo em Londres da Sanford C. Bernstein.

“A marca Goyard seria compatível com o portfólio da Kering, por exemplo, e a LVMH poderia tentar aumentar sua participação no mercado de itens de couro em vez de deixar que outra empresa desenvolvesse uma concorrente para suas marcas Louis Vuitton, Fendi e Céline”.

O empresário Jean-Michel Signoles, que comprou a Goyard em 1998 da família que fundou a empresa, não revela se deseja vender a companhia que ele revolucionou expandindo as vendas para a nova e crescente onda de ricos do planeta.

Bolsas para aristocratas

Fabricante de malas para a aristocracia nos séculos 19 e 20, a Goyard teve entre seus clientes o marajá de Kapurthala, a família Rockefeller, a família Romanov, o duque e a duquesa de Windsor e Karl Lagerfeld, segundo informa em seu site.

A empresa, que se vangloria de um “desprezo absoluto pela publicidade e pela produção em massa”, também afirma que não se envolve “em nenhum tipo de comércio eletrônico”. A companhia preferiu não responder às perguntas da Bloomberg.

Apesar de reivindicar “elegância atemporal, fabricação artesanal e exclusividade”, a Goyard estava acumulando prejuízos quando foi adquirida por Signoles, fundador da marca de roupa infantil Chipie.

Signoles injetou capital, reformou a loja da Rue Saint-Honoré, em Paris, e abriu pontos de venda na Ásia e na América do Norte, além de dois na Europa e um em São Paulo.

“O fato de ter deixado de ser uma empresa familiar, de seu nome ter ficado mais conhecido, de ter expandido a coleção de itens de couro e aberto novas lojas, como a da Madison Avenue em Nova York, já revela que a marca está buscando um alcance maior”, disse Dana Telsey, fundadora da Telsey Advisory Group em Nova York.

Essa estratégia deu resultado, de acordo com fato relevante registrados na Câmara de Comércio de Paris. A receita disparou para 41,1 milhões de euros em 2013, os dados mais recentes sobre a empresa, contra 1,14 milhão euros em 2000.

O lucro aumentou de 18.000 euros para 12,8 milhões de euros depois que as exportações passaram de menos de 4 por cento para um terço das vendas.

 

Fonte: exame.abril.com.br

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